Além das fraudes tradicionais envolvendo cartões, como clonagem, chargebacks indevidos ou uso não autorizado de dados, academias também podem enfrentar golpes que exploram o acesso às contas digitais dos clientes.
Esse tipo de fraude tem se tornado mais comum com a digitalização dos serviços no setor fitness, principalmente quando academias utilizam aplicativos e portais online para gestão de planos, pagamentos e dados cadastrais.
Como funciona esse tipo de golpe
Em alguns casos, os fraudadores não atacam diretamente o sistema da academia. Em vez disso, utilizam técnicas de engenharia social, especialmente phishing.
O que é phising?
Phishing é uma fraude digital em que o criminoso cria páginas ou mensagens falsas para induzir o usuário a informar suas credenciais de acesso, como login e senha.
Importante
A maioria dos golpes digitais não ocorre por invasão direta ao sistema da academia, mas sim por meio de engenharia social, quando o próprio cliente informa suas credenciais em páginas falsas.
Por isso, academias devem orientar seus clientes a acessarem apenas o aplicativo oficial ou o site oficial e a nunca informarem login e senha em links recebidos por mensagens.
O fluxo desse tipo de golpe geralmente ocorre da seguinte forma:
O criminoso cria um site falso visualmente semelhante ao aplicativo ou portal da academia.
O cliente recebe um link fraudulento por WhatsApp, e-mail ou redes sociais, acreditando tratar-se de uma comunicação oficial.
Ao acessar o site falso, o cliente insere seu usuário e senha reais.
Essas credenciais são capturadas pelo fraudador.
O criminoso utiliza essas credenciais para acessar o sistema legítimo da academia e consultar informações da conta do cliente.
A partir dessas informações, o golpista pode tentar convencer a vítima a realizar pagamentos fraudulentos, como transferências via PIX ou cobranças falsas.
Por que esse tipo de fraude é difícil de bloquear tecnicamente
Quando um fraudador utiliza credenciais válidas fornecidas pela própria vítima, o sistema da academia ou da plataforma de gestão pode interpretar o acesso como legítimo.
Em arquiteturas modernas baseadas em API e autenticação por login e senha, o sistema apenas verifica se as credenciais estão corretas. Se estiverem, o acesso é concedido ao usuário autenticado.
Isso significa que:
não houve invasão ao sistema;
não houve quebra de criptografia ou exploração de vulnerabilidade;
o acesso ocorre dentro das permissões normais da conta do cliente.
Esse cenário é conhecido como uso indevido de credenciais obtidas por engenharia social.
Importante
A prevenção desse tipo de golpe depende não apenas da tecnologia, mas também da conscientização dos clientes.
O que academias podem fazer para reduzir esse risco
Embora nenhum sistema consiga impedir totalmente golpes baseados em phishing, algumas medidas ajudam a reduzir significativamente a probabilidade e o impacto desses incidentes.
1. Educação dos clientes
Informe que a academia não solicita pagamentos por links desconhecidos. Oriente a eles a acessarem serviços apenas pelo aplicativo oficial ou pelo site oficial.
2. Comunicação clara de canais oficiais
Divulgue quais são os canais legítimos de atendimento.
Alerta que mensagens externas solicitando pagamentos devem sempre ser verificadas. Explique também como identificar possíveis tentativas de phishing, como:
domínios parecidos com o site da academia;
páginas com aparência inconsistente;
nome ou razão social diferente da academia na cobrança, geralmente associada a pagamentos via PIX.
3. Protocolos de resposta a incidentes
Assim que identificar um caso suspeito, denuncie o domínio fraudulento para autoridades ou plataformas responsáveis, como Registro.br, Cloudflare ou Google.
Oriente rapidamente o cliente afetado a alterar sua senha utilizando apenas o aplicativo oficial, como o Fiti ou o aplicativo personalizado da academia.
Quando aplicável, comunique o incidente à ANPD conforme as orientações da legislação vigente.
4. Evite expor dados de contato de clientes em grupos abertos
Em campanhas de pré-venda ou divulgação de novos planos, muitas academias utilizam grupos de WhatsApp para reunir interessados. Embora seja uma prática comum, ela pode aumentar o risco de fraude.
Em grupos de WhatsApp, todos os participantes conseguem visualizar os números de telefone dos demais membros. Isso permite que pessoas mal-intencionadas:
entrem no grupo apenas para coletar contatos;
enviem mensagens privadas se passando pela academia;
ofereçam links falsos de pagamento ou promoções inexistentes.
Alerta de segurança
Evite divulgar links de pagamento ou condições comerciais diretamente em grupos abertos. Sempre que possível, direcione os interessados para o site oficial da academia ou para canais de atendimento controlados pela equipe.
Uma alternativa mais segura é utilizar Comunidades do WhatsApp ou outros canais de comunicação em que os números dos participantes não fiquem visíveis para todos.
Dessa forma, a academia mantém a comunicação com os interessados e reduz a exposição de dados de contato, diminuindo a possibilidade de abordagens fraudulentas por terceiros.
Segurança também depende do comportamento do usuário
No cenário atual de digitalização dos serviços fitness, a segurança não depende apenas da tecnologia, mas também do comportamento dos clientes.
Grande parte dos golpes digitais explora a confiança e a falta de atenção das vítimas. Por isso, academias que investem em educação preventiva e comunicação transparente com seus clientes conseguem reduzir significativamente o impacto desse tipo de fraude.
